quarta-feira, 31 de agosto de 2016

GÍRIA: Atualização 2016 de palavras e expressões + Bónus: PALAVRAS mais populares

**O post que se segue contém calão e pode ferir suscetibilidades**


Continuando a apresentação de tendências prometida na publicação anterior, desta vez trago-vos gíria no mesmo tipo de rubrica que fiz aqui há mais de um ano atrás sobre esta faceta da comunicação, em constante mudança e a moldar a linguagem das gerações, neste caso, de todos os jovens que falam ou de alguma forma comunicam em inglês.
Algumas palavras do ano passado continuam populares, porém outras perderam o seu propósito ou simplesmente deixaram de soar tão frescas e caíram no esquecimento (Quem é que ainda diz "bye felicia"? Bem me parecia que não). Vou optar por acrescentar apenas as novas e não repetir as que coloquei nesse post mesmo que algumas ainda continuem muito atuais.
Segue-se então o slang que se tem afirmado recentemente:

Live for

Esta expressão identifica a importância que se dá a algo, como se essa fosse a situação ou coisa que melhor carateriza o gosto da pessoa, acabando por simbolizar em hipérbole a razão para ela viver.
"I live for mornings with hot coffee." = Eu vivo para as manhãs com café quente.

AF

AF é a sigla de "as fuck" e quer transmitir intensidade ou quantidade de algo, recorrendo ao artigo de comparação seguido de calão e é utilizado quase exclusivamente na linguagem escrita, sendo necessário um adjetivo antes para fazer sentido.
"That dress is cute af" = "Esse vestido é super giro."

Finesse

Em resumo, significa um aperfeiçoamento ou melhoramento e um update material, visual ou emocional de algo. Pode ainda referir-se a algo elegante, de boa qualidade ou admirável para alguém. 
"I'm going to finesse my closet tonight." = Vou organizar o meu armário hoje à noite.

The struggle

"Struggling" significa ter de lidar com algo e procurar forma de resolver determinada situação, mas atualmente é usado com o propósito de indicar um momento problemático de forma humorística, raramente verdadeiramente difícil, mas sim algo banal que incomoda de alguma forma.
"This teacher is so boring, I'm trying not to fall asleep. The struggle is real." = "Este professor é tão aborrecido, estou a tentar não adormecer. A dificuldade é real."

Or nah

O significado é bastante óbvio, e não é mais do que as palavras "or no?" de forma irónica ou despreocupada. Usa-se quando se quer saber algo e se pergunta com algum desdém.
"Are you going to pick me up later or nah?" = Vais buscar-me logo ou não?

Trash

Bastante literal e fácil de assimilar, quando algo não é atraente ou positivo, pode ser considerado por determinada pessoa equivalente a lixo ou, de certa forma, irrelevante.
"Don't come with that trash talk." = Não venhas com essa conversa da treta.

Savage

Utiliza-se esta palavra que no seu significado literal quer dizer selvagem perante algo considerado intenso, fora do comum ou até inadequado, geralmente referindo-se a algo ou alguém que não se preocupou com as consequências.
"Did you see that? Savage." = Viste aquilo? Chocante.

FR

Sigla para "for real", indicando que algo é realmente como a pessoa disse. Não é mais do que um intensificador e, frequentemente, uma muleta no discurso escrito.
"I like you FR. Do you believe me?" = Gosto mesmo de ti. Acreditas em mim?

Snatched

Transmite a ideia de que algo é positivo, foi bem executado ou tem qualidade, sendo muitas vezes usado como o novo "on fleek".
"Those brows are snatched!" = Essas sobrancelhas estão no ponto!

Fam

Pode ser visto como o diminutivo de "family", sendo também um possível substituto para a já conhecida gíria "squad" que se refere a um grupo de amigos. Contudo, "fam" não tem de ser necessariamente plural, relacionando-se com uma ou várias pessoas próximas.
"What's up, fam?" = O que se passa, amigo(s)?

SMH

Mais uma sigla, desta vez para "shake my head" e, tal como se entende pela visualização desta expressão, indica reprovação perante um acontecimento, como se abanássemos a cabeça ao saber algo ou descobrir determinada situação. Utilizado quase exclusivamente na escrita.
"He cheated on you? SMH." = Ele traiu-te? Que vergonha.

Low key/High key

"Low key" refere-se a algo que acontece discretamente, que se deseja que não tenha destaque, feito de forma a não ser muito percetível; enquanto "high key" é precisamente o oposto, significando algo óbvio ou que dá nas vistas.
"I said I was happy for him, low key wishing he was single." = Disse que estava feliz por ele, a desejar lá no fundo que ele fosse solteiro.
"I high key love this new song." = Adoro assumidamente esta nova música.

Lit

Se pensarmos um pouco concluímos que "lit" está relacionado com acender algo, logo poderia significar aceso. E acaba por ser sinónimo disso, sendo na gíria um adjetivo para classificar algo que chama à atenção, normalmente positivo e enérgico, como uma versão paralela do famoso "turnt up".
"This party is so lit!" = Esta festa está tão acesa!

Bomb

Se algo tem extrema qualidade, causa muito impacto, é muito atual, ou tudo isto sempre com um sentido positivo, é sem dúvida "bomb".
"That hair? Bomb." = Aquele cabelo? Brutal.

*******BÓNUS*******
Tendências de palavras (não gíria) mais populares:

Obsessed

"I'm so obsessed with shoes like these right now!" = Ando tão obcecada com sapatos assim agora!

Literally

"Did you see how he talked to me? I can't deal with rude people. Literally." = Viste como ele falou comigo? Não consigo lidar com pessoas mal educadas. Literalmente.

Iconic

"Beyoncé's look on that video? Iconic." = O visual da Beyoncé naquele vídeo? Icónico.

Vocabulário atualizado or nah?
Espero que não restem dúvidas porque tão cedo não haverá outro post deste género!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

MÚSICA: Resumo de 2015 e 2016 + Bónus: tendências de IMAGEM/VÍDEO

Peço desculpa aos leitores do blogue pela ausência de quase um ano, mas precisei de me focar na minha vida pessoal e em outros projetos (as sessões fotográficas para o meu instagram por exemplo), deixando por isso este blogue em stand-by uns tempos.
Não sei se vou publicar assiduamente de agora em diante mas vou fazer três publicações (esta incluída) para vos atualizar sobre música, gíria e moda, como já fiz anteriormente.
Vou resumir todo o rumo que a música comercial (e depois slang, fashion) tem tomado e vou selecionar alguns exemplos, acrescentando alguns parágrafos esclarecedores para cada um deles.

As produções musicais dos últimos tempos têm evoluído em parte como previ no início de 2015 quando fiz um resumo de música da última meia década (podem ver - ou rever - aqui), porém, agora posso simplificar dividindo a direção do comercial por tópicos de tendências:

1) Saxofones (e trompetes)

Lembram-se de na época de Shake It Off e Uptown Funk ter feito a previsão que isto ia ser grande? Parece que acertei e continua a projetar-se muito, a música pop está repleta de horns.
Como começou? Algures entre Macklemore e Jason Derulo (Talk DirtyTrumpets...) em 2013.
Quem o experimentou? Quase todos os artistas pop.
Quem nos fez enjoar? Fifth Harmony no seu álbum do ano anterior, Reflection, com músicas que repetiram incessantemente nas rádios. Este grupo tem tido muito sucesso e bons hits, mas deram-nos inevitavelmente uma overdose de saxofone. E quem as ajudou a trazer este revivalismo de instrumentos de sopro? Omi com Cheerleader que foi possivelmente a música que mais passou no verão do ano passado.

BO$$ - Fifth Harmony

Worth It - Fifth Harmony ft. Kid Ink

Cheerleader - Omi

Mais algumas, só para uma noção mais clara do alcance gigante deste instrumento na música agora.
Produção eletrizante a de Flo Rida e Demi Lovato apresenta um verdadeiro statement feminista com um som que anuncia uma mulher confiante. E, claro, Sax de Fleur East que, como o nome indica, é saxofone puro. Balada mais popular com trompete no meio foi Love Yourself de Justin Bieber.

GTFR - Flo Rida ft. Sage The Gemini and Lookas


Confident - Demi Lovato

Sax - Fleur East

Love Yourself - Justin Bieber

Irresistible - Fall Out Boy ft. Demi Lovato

Podia incluir aqui uma extensa lista mas ia tornar a publicação enorme. Liguem a rádio, ouçam álbuns de todo o tipo de artistas (até Fall Out Boy do género rock fizeram a música Irrestible com este instrumento, Ellie Goulding em We Can't Move To This do último álbum (aconselho ouvir!)) e vão ver várias outras que não referi aqui.

Pessoalmente, melhor momento de horns? Veni Vidi Vici de Madonna do álbum Rebel Heart de 2015 (aconselho ouvir!), pura música urbana com um final de trompete legendário depois do rap de Nas, realçando a letra da música sobre quão majestosa foi a sua vida.

[Nota: Melhor remix com esta caraterística? O remix de Flawless com infusão de um trompete a meio da música antes de Beyoncé anunciar a entrada de Nicki Minaj. Nunca me canso de ouvir.]


2) Tropical house + Trap = Tropical urban (+ high-pitch)

O que acontece quando o público se começa a saturar de música trap usada e abusada por todos os artistas? Desde os tempos do berço do trap em Dark Horse de Katy Perry e Flawless de Beyoncé lá em 2013 até à canção "trapizada" Old Ways do mais recente álbum de Demi Lovato (aconselho ouvir!), passando pelo trap muuuuito discreto no ritmo de High By The Beach de Lana Del Rey e pela balada do mesmo estilo Sorry de Beyoncé que é o hino do ano no que toca a traições.
E quem diria que até Madonna faria Iconic forçando-se a acompanhar a direção da música moderna.

E vamos reconhecer, é um género fenomenal? Completamente, mas toda a gente já o fez, já passou em todo o lado e até já há publicidade que é feita com este tipo de som.
Especialmente depois de David Guetta ter feito a música do Euro 2016 com Zara Larsson neste tipo de premissa e David Carreira ter utilizado também música trap no break de Primeira Dama tentando ser a nova Lean On, estávamos mesmo a precisar de uma reviravolta neste género musical.

Qual foi a solução dos produtores?
Fundir a sua vibe urbana derivada do hip-hop com os ritmos do house e sintetizadores tropicais que nos remetem para o verão. Os estalinhos, batidas metalizadas e palmas podem manter-se mas trazem toda uma aura de verão suavizada e menos ghetto.
Resultado?
Uma produção original, porém com as mesmas vozes ultra-agudas como se fossem flautas ou golfinhos a comunicar. Podemos chamar neo-trap? Ou tropical urban.
Exemplo perfeito? 


Where Are U Now da dupla de Diplo e Skrillex com Justin Bieber, onde a voz de Bieber distorcida para um som ultra-agudo fez toda a melodia entre os refrões. Foi um hino no final do ano passado e uma porta que se abriu para reinterpretar o trap de todas as formas possíveis. Puro tropical urban.



As Fifth Harmony estão a trocar o tradicional saxofone e a fazê-lo no novo álbum 7/27 (aconselho ouvir!), particularmente na música I Lied onde o mesmo estilo de voz em high pitch (distorcida para agudo) nos faz dançar como se já não conhecêssemos este tipo de som.
E a realidade é que está EM TODO O LADO! Parece raro senão impossível encontrar uma música no topo das paradas musicais que não tenha pelo menos uma brincadeira com um loop repetido num timbre que imita o som de golfinhos.

Britney no primeiro single do álbum que saiu há pouquíssimos dias aposta nisso mesmo também, basta apreciar os sons de fundo de Make Me... para perceber que não são baleias bebés a pedir ajuda mas sim o efeito sonoro que tenta manter atualizada a antiga princesa do pop.


Se isto é o que os descendentes do trap continuam a fazer ao pop todo este tempo depois, agradecemos porque é pura adrenalina musical e já chegou a produções portuguesas de muita qualidade como Wall Of Love dos Karetus com Diogo Piçarra. Embora tenha a batida acelerado de drum'n'bass, o break de vozinhas é assumidamente o orientador da música.


Mais uma vez, podia colocar uma quantidade infinita de exemplos como se não estivéssemos fartos de reconhecer este tipo de som que nos rodeia por toda a rádio, mas vou deixar apenas as três melhores porque me fizeram clicar muitas vezes replay ultimamente.

Sober - Selena Gomez

Youth - Troye Sivan

I Took a Pill In Ibiza - Mike Posner

Let Me Love You - Dj Snake ft. Justin Bieber

The Ocean - Mike Perry ft. Shy Martin

3) Vozes distorcidas para grave - low pitch

Não preciso explicar muito porque é o que o nome indica: consiste na distorção da voz do artista para um timbre muito mais grave para conferir intensidade a uma palavra, frase ou verso.
Existe no hip-hop há imenso tempo e são os rappers que normalmente utilizam esta tática para atribuir agressividade e destaque a determinada rima ou momento da produção.
O que a música comercial fez foi resgatar essa caraterística e creio que começou quando toda a onda urbana entrou na moda em 2013, por exemplo em Dark Horse a voz de Katy Perry na frase "There's no going back!", no low-pitch de "This is how we do" ou na voz monstruosa de Miley Cyrus em We Can't Stop que aparentemente anunciaram a tendência.
Todos os restantes cantores e cantoras limitaram-se a imitar. Falta de originalidade? Como em todas as tendências que moldam o gosto da população e definem uma geração, sim. Efeito fantástico? Também! Soa poderoso, masculinizado e urbanizado, e é sem dúvida um momento de destaque que parece manter-se em voga durante muito tempo.

Deixo três das imensas músicas com este low pitch porque - como dizem os editores de moda: "um a fazer é um louco, dois é coincidência, três ou mais é tendência".

Momento favorito: Nicki Minaj e Beyoncé durante todo o hip-hop puro de Feelin' Myself têm palavras assim, mas o verso "We dope girls, we FLAWLESS" tira-me sempre a respiração.


Presente no final de Bitch Better Have My Money em toda a força como se Rihanna se tivesse transformado num serial-killer com a voz mais grave do mundo.



Para quem duvidava que Rihanna a fazer hip-hop da pesada não falha, mesmo tendo ouvido Pour It Up no álbum anterior a este, teve de ficar esclarecido com toda a violência de BBHMM.



Impossível também não referir a frustração que Demi exala na música Waitin For You, utilizando a distorção da própria voz quando diz estas mesmas palavras, conferindo-lhe uma intensidade que nos envolve e quase intimida.

Aliás, várias são as músicas nesta publicação que apresentam este pormenor pelo menos quando a música está a acabar ou muito discretamente entre versos (Fools - Troye SivanIf It Ain't Love - Jason Derulo; todo o álbum Pinkprint de Nicki Minaj,...), e existem tantas que tornariam este post infinito inclusive artistas não comerciais (My Song 5 - Haim, etc.). Estejam atentos ao que ouvem porque está em todo o lado.

Uma canção que é um autêntico resumo do som em voga porque reúne as três tendências anteriores? 1) Saxofone, 2) derivados do trap com vozes em high-pitch e 3) Voz em low pitch também: Gibberish de MAX. Sem dúvida, um must listen repleto de clap, estalinhos e afins.


4) Coro de crianças

Esta é uma tendência muito recente e que nunca nem num milhão de anos eu iria adivinhar que ia acontecer. Partilho de seguida algumas músicas nas quais devem ter reparado um conjunto de crianças a acompanhar o refrão.
Terá o propósito de dar inocência à música? Não faço ideia.
Original? Por enquanto, parece que sim.


Sia traz uma aura muito tropical em Cheap Thrills acompanhada por um grupo de crianças que gritam "I love cheap thrills!" sempre que ela diz uma frase do refrão. No mínimo, divertido.


O novo caloiro da música e que conquistou o meu coração com todo o álbum Blue Neighbourhood (aconselho mesmo, mesmo muito ouvir!) por usar as tendências musicais em todas as canções mas sobretudo por ter letras arrebatadoras sobre romance gay com vídeos fabulosos.
Que venha muito mais de Troye Sivan, inclusive replays da música Wild, onde ele nos traz vozes de crianças que o ajudam a infantilizar o hip-hop com doces "wi-i-ild" e "hey".
Demasiado perfeito e, pessoalmente, melhor revelação do último ano!



Esta música tem sido excelente nas rádios porque explora simultaneamente o tropical urban e esta nova onda do coro de crianças, onde elas cantam "I feel like a millionaire, whenever she comes around, whenever I hear that sound". Produção viciante.


E não poderia faltar a radiofónica Mama Said na qual a voz de miúdos cria todo ambiente relativo à temática da música desejado por Lukas Graham.


*******BÓNUS*******
Tendências de videoclipes e imagem:



1) Iluminação colorida (especialmente rosa)


Quando tudo começou pensei que era engraçado e remetia para discotecas vintage dos anos 70, 80 e 90, mas neste momento TODAS AS ALMAS DESTE PLANETA O FIZERAM.
Quando Beyoncé o fez com Partition lá em 2013 e Jessie J, Ariana Grande e Nicki Minaj o fizeram em Bang Bang em 2014, particularmente nas luzes da cidade do vídeo e no cenário onde Ariana Grande aparecia, ficou fantástico e original.



Quando todos os artistas neste mundo (David Carreira, estou de olho nessa iluminação vermelha do final do vídeo de Primeira Dama!), desde o maior hino de Rihanna este ano até à sensualidade de Demi Lovato ou reafirmação de Madonna no ano passadorecorreram de alguma forma a esta modinha, não sei se penso que o realizador dos vídeos é sempre o mesmo ou é o mundo que adora mesmo esta iluminação. Digo todos porque os que não o usam assumidamente, usam pelo menos num detalhe do vídeo discretamente sem falta.
Desde vermelho a verde, mas com destaque especial para o rosa, esta tendência é impossível de ultrapassar. De qualquer forma, aqui estão alguns exemplos das dezenas de vídeos assim:


Want You To Want Me - Jason Derulo

Worth It - Fifth Harmony ft. Kid Ink

Do It Again - Pia Mia ft. Chris Brown, Tyga

The Night Is Still Young - Nicki Minaj

Bitch I'm Madonna - Madonna ft. Nicki Minaj

Here - Alessia Cara

Cool For The Summer - Demi Lovato

Me, Myself & I - G-Eazy x Bebe Rexha

Pillowtalk - Zayn

Work - Rihanna feat. Drake

Cruel - Snakehips ft. Zayn

Lush Life - Zara Larsson

Toothbrush - DNCE

Gibberish - Max ft. Hoodie Allen

I Took a Pill In Ibiza - Mike Posner

Hotline Bling - Drake

Can't Feel My Face - The Weeknd

Rock Bottom - Hailee Steinfeld ft. DNCE

Youth - Troye Sivan

All My Friends - Snakehips ft. Tinashe, Chance The Rapper

Weekend - Louis The Child & Icona Pop

Dangerous Woman - Ariana Grande


E Ariana Grande está de facto a passar uma febre com esta tendência, porque todos os vídeos do seu novo álbum têm esta iluminação! E não parece estar a chegar ao fim pelo que verificamos na parceria mais recente da cantora com Nicki.

Side To Side - Ariana Grande ft. Nicki Minaj

On My Mind - Ellie Goulding

Ellie na fantástica música acima reúne tanto o trend que estamos a tratar como o seguinte.
E quem fez o mesmo foi Rita Ora e Charlie XCX. Bomb girls!

Doing It - Charlie XCX ft. Rita Ora

Segundo várias atuações dos VMAs, posso manter a iluminação rosa no meu quarto durante mais uns meses porque continua em voga, certo? Obrigado.

2) Desertos

Nada de mais. O deserto fica bastante artístico nos vídeos e fez-se muitos vídeos assim nos anos 90, afinal quem não se lembra de Shania Twain em That Don't Impress Me Much? Icónico.
Agora tem-se intensificado e para já está controlado ao contrário do trend anterior que está num nível de epidemia!


Hey Mama - David Guetta ft. Nicki Minaj, Bebe Rexha and Afrojack

Five More Hours - Deorro x Chris Brown

Ex's & Oh's - Elle King

Fast Car - Jonas Blue ft. Dakora

O meu vídeo favorito, tanto pelo guarda-roupa como pela sonoridade tropical, é da grande artista MØ que gravou o seu último single também no deserto. Impossível não querer ver (ou rever).

 Final Song - MØ

3) Erros de frequência e distorção digital

Esta é uma novidade e usa os próprios erros que a tecnologia pode cometer propositadamente para efeitos visuais interessantes. Cria efeitos pixelizados e má frequência de forma dinâmica.
O exemplo mais íconico é a distorção digital (será mesmo coincidência ser esse o nome do álbum?) de Iggy Azalea no vídeo da sua recente Team muito trabalhada no ritmo hip-hop e no trap.


O agora famoso Alan Walker traz no seu recente single uma pessoa que passeia pela cidade e os prédios pixelizam-se com uma distorção propositada que nos remete para tecnologia estragada.



Bebe Rexha une-se a Nicki Minaj para uma produção divertida na qual conjugam a popular luz rosa em alguns cenários com efeitos de pixels e erros de frequência de ecrã ao longo do vídeo.


E quem diria que a pouco conhecida Becky G ia querer cumprir três trabalhos de casa de uma vez só com um vídeo com 1) iluminação rosa, 2) cenários de deserto e AINDA 3) erros digitais da imagem em alguns momentos do vídeo! E claro que, mesmo em espanhol, a produção da música trouxe-nos tropical urban na sonoridade.


É bem provável que esta estética ainda venha a aumentar com o tempo. Ou talvez não.
Uma coisa é certa, Meghan Trainor decidiu conjugar esta tendência com a que vou falar a seguir, no videoclipe da sua música de libertação feminina, No. Gravou num espaço que aparenta ser uma garagem ou uma casa de máquinas, incluindo efeitos visuais de má frequência no início e em alguns momentos durante a música, surgindo as distorções da imagem tão trendy a acompanhar os ritmos.


4) Garagens e espaços abandonados

Este cenário funciona muito bem com músicas emocionais, de desilusão, que tentam transparecer sofrimento ou abandono. O local abandonado representa o coração partido, por isso é normal que as seguintes canções tenham aproveitado esta tendência para se perceber melhor a mensagem.
Hoje em dia, parques de estacionamento e garagens parecem ser o local ideal para exteriorizar emoções em videoclipes. Veremos se a tendência aumenta ou acaba por desvanecer.


Elastic Heart - Sia


Stitches - Shawn Mendes

Close - Nick Jonas ft. Tove Lo


Activated - Cher Lloyd


Faded - Alan Walker


Don't Hurt Yourself - Beyoncé


5) Retorno dos vídeos a preto e branco


Se  não quiserem acompanhar todas estas direções e conceitos porque querem ser clássicos, façam videoclipes a preto e branco. Em toda a história da indústria musical - embora tenha momentos em que são mais populares do que outros - nunca saem realmente de moda. Por acaso, estamos num momento alto para os vídeos em black & white novamente.


Kiss It Better - Rihanna

Write On Me - Fifth Harmony

Sorry - Beyoncé

Waitin For You - Demi Lovato ft. Sirah

Kill Em With Kindness - Selena Gomez

Wolves - Kanye West

Podia colocar muitos mais mas esta publicação já está demasiado comprida para todos esses.
Por isso, até breve no próximo relato de tendências!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

MODA: A nostalgia da camurça + franjas

Para quem leu o que foi anunciado aqui, convém esclarecer que nem só de flare jeans e cabelos com risca ao meio se fez a época hippie. Se já trocaram Kurt Cobain e Courtney Love, os eternos ícones grunge, pelo igualmente icónico casal setentista que foi John Lennon e Yoko Ono, está na hora de tomar em consideração o material sensação deste ano: a camurça.


Se na primavera surgiu maioritariamente em malas e casacos, nesta estação domina saias, camisolas, vestidos e todo o tipo de botas, desde os mais simples botins às botas de cano extralongo.
As cores? Podem ir do vermelho escuro ao azul, mas nada como o clássico bege ou castanho para causar verdadeiro impacto.



Para quem duvidava que pudesse soar tão fresca depois de todos estes anos esquecida - ou pelo menos com um papel muito menos relevante - ressuscita agora com os cortes mais modernos, sem nunca perder o toque saudosista de Woodstock.


Se 2015 imitou sem pudor o início dos anos 70, era obrigatório incorporar na irmã macia do cabedal o bónus que reinou em todas as épocas boémias: as franjas.
E não estou a falar de cabelo.


Apesar de voltarem à moda a cada meia dúzia de anos, desta vez surgem com o propósito inteligente de acompanhar a tendência mostrada em cima, criando um revivalismo com muito mais movimento, dinâmica e um toque de rebeldia.


Visual boho para combinar com as folhas deste outono?
Check.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

CULTURA: Feminismo com prazo de validade?

O título desta publicação pode parecer ridículo, como se a igualdade sofresse modas como os penteados. A realidade é que as ideias e crenças de uma sociedade variam no tempo e estão dependentes de imensos fatores.
Para verificar isto, basta olhar para a História.
A civilização romana valorizava a higiene e o bem-estar diários; já a população medieval, séculos depois, era extremamente supersticiosa e, por isto, só tomava banho uma vez por ano.
Os gregos antigos criaram a democracia, muito semelhante à atual, mas acabaram por ser substituídos por impérios e monarquias tiranas.
A evolução não é uma linha reta; bem pelo contrário, pode ser vista como um ciclo.
Se 1920 foi uma era exuberante, festiva e inovadora, com a crise e a guerra as mentalidades fecharam-se nas décadas seguintes.
Para onde foram todos os revolucionários dos anos 60 e 70 do século passado? Muitos deles tornaram-se empresários acomodados nos anos 80.
Não devemos pensar que aquilo que existe não pode ser perdido. Basta um ditador para nos retirar todos os direitos conquistados, em qualquer momento, até em pleno século XXI.


De volta à nossa temática e para esclarecer quem tem uma ideia errada:
O feminismo é o movimento que luta pela igualdade entre mulheres e homens. Não é a superioridade da mulher ou o equivalente ao machismo, é a luta por um mundo igualitário independentemente do género, sem beneficiar qualquer um deles.
Surgiu particularmente com a luta pelo direito ao voto das mulheres há mais de cem anos atrás e esteve mais em voga numas épocas do que noutras.


O interessante disso é que estamos a viver uma dessas épocas, chamada pelos sociólogos de "quarta onda do feminismo", com ativistas e celebridades a trazer o movimento para os holofotes.
Não sejamos hipócritas e admitamos que temos conceções sexistas que nos foram ensinadas desde sempre. Para os que argumentam que as mulheres já alcançaram a igualdade, apresento dois cenários obviamente injustos, um profissional e um estético:
- Ainda hoje, no nosso mundo ocidental, existem mulheres que recebem um salário inferior aos colegas do sexo masculino pelo mesmo trabalho.
- Um homem não tem de se depilar, é perfeitamente aceitável não o fazer, mas uma mulher que não o faça é humilhada ou mal vista pela comunidade.

Passemos para aqueles que estão do lado da mudança.
Desde as artistas que não depilam as axilas e publicam fotografias nas redes sociais apesar da chuva de críticas, até às mais variadas promoções do movimento na música atual, é inegável que nos últimos anos voltamos a lembrar-nos que ainda há muito para mudar.


Miley Cyrus e Madonna protestaram contra os duplos padrões sociais aparecendo em público sem se depilar, bem como outras cantoras, atrizes e artistas plásticas. O que querem transmitir é: as mulheres podem depilar-se se quiserem, simplesmente não podem ser pressionadas a fazê-lo. Porquê? Porque os homens podem depilar-se, mas não são criticados se não o fizerem.


Focando-nos na música, Beyoncé é o verdadeiro ícone pela chamada de atenção que fez com a música "***Flawless" do seu álbum autointitulado de 2013.
Ao incluir o discurso da ativista pelos direitos das mulheres Chimamanda Ngozi Adichie, a cantora lembrou os adolescentes que é errado ensinar raparigas a sonhar com o casamento e a reprimir a sua sexualidade, enquanto aos rapazes é dada maior independência e possibilidade de escolher o seu futuro. Porque feminista é aquele/a que, como é dito no discurso da música, "acredita na igualdade social, política e económica dos sexos". E sim, os homens podem e devem ser feministas também.


Lily Allen satirizou o machismo da indústria musical com "Hard Out Here" e, em 2014, Meghan Trainor criticou os padrões de beleza no seu hit "All About That Bass", com Beyoncé a reforçar os seus ideais nos VMAs desse mesmo ano e a substituir a expressão 'bossy' (mandona) por uma muito mais justa: 'boss' (patroa).


A consciencialização chegou entretanto à banda Little Mix com a música "Salute" e, este ano, Fifth Harmony lançaram o álbum Reflection com várias músicas que não são mais do que a libertação e tomada de poder do sexo feminino, sempre de forma descontraída.


Até aqui tudo está no bom caminho. Jovens independentes que não aceitam ser submetidas ao sistema patriarcal que as dominou desde sempre, 2014 foi chamado pelas revistas TIME, VICE e Billboard o ano do feminismo no pop e poucas são as celebridades que não mostraram simpatia pelo movimento (Lorde, Taylor Swift, Lady Gaga, Miley Cyrus, etc.).

O problema surge precisamente no ciclo falado no início desta publicação.
Esta febre na música comercial não é novidade. Aconteceu algo parecido, embora não tão explícito, há vinte anos atrás. O início dos anos 90 foram dominados por Madonna que chocou o mundo com Erotica, os Nirvana promoviam todos os tipos de igualdade em meados da década e a banda Spice Girls gritava nas entrelinhas que não eram dependentes de nenhum homem. Para além disto, Björk consolidava o mercado alternativo e Alanis Morissette conquistava popularidade também. Foi, sem dúvida, uma época de ouro para as mulheres. A realidade é que ser mulher na indústria musical, poderosa e confiante, vendia como nunca.

Tudo mudou com uma canção. Menos de quatro minutos arrebatam o ocidente, quebram todos os recordes em 1999 e consolidam uma nova forma de pensar. O som comercial e letra fácil fazem sucesso, sussurrando aos jovens dessa altura que não existe qualquer problema numa adolescente se sentir dependente de um rapaz e ter saudades dos maus tratos, pedindo explicitamente que lhe bata novamente.
"Hit Me Baby One More Time", abreviada para "...Baby One More Time" por motivos óbvios, foi o anúncio de toda uma geração inconsciente à violência nas relações.
Britney Spears vendia com o seu aspeto frágil, infantil e sensual.


Vítima da indústria ou consciente do efeito da sua música, ignorou qualquer feminismo vigente e promoveu esta visão com outras semelhantes ("I'm A Slave 4 U", por exemplo), ao qual se juntaram muitos outros artistas nos anos 2000, alienados ao sexismo que propagavam.

Voltando para o presente na máquina do tempo, temos de aplaudir Beyoncé e todos os artistas que ajudam a educar uma nova geração que ainda não tem ideias próprias, ensinando que a igualdade é pop e que devia continuar a ser sempre.
Ainda assim, convém prestar atenção àqueles que, sem querer ou propositadamente, podem contrariar o bom rumo das coisas e tornar o feminismo algo "fora de moda" com um simples refrão chiclete como aconteceu antes.
Embora sem possibilidade de quebrar o progresso, existe já uma música com um rap que destoa das letras restantes e parece aceitar e promover o machismo.

"Vou ser a tua mulher, (...) vou ser a tua bebé, vou ser aquilo que quiseres (...) Sim, eu cozinho, sim, eu faço as limpezas (...) Sim, és o patrão e eu sou respeitadora (...) Faço questão de tomar conta dele, faço questão de estar em bicos de pés, de joelhos, mantê-lo satisfeito, massajá-lo, ser uma dama e uma louca" - Nicki Minaj em Hey Mama - David Guetta feat. Nicki Minaj, Bebe Rexha, Afrojack


O novo feminismo veio para ficar ou tem os dias contados?

sábado, 27 de junho de 2015

MÚSICA: Review do álbum "Beyoncé - Platinum Edition" de Beyoncé

Beyoncé - Platinum Edition (2014) - Beyoncé

1) "Pretty Hurts" - ☆☆☆☆☆

 


Prometendo um trabalho de qualidade, Beyoncé apresenta um sucesso garantido vindo de Sia, tornando a sua proposta de álbum visual muito realista. Retratando a hipocrisia e superficialidade do mundo em que vivemos, a música fala do facto de a luta pela beleza inatingível causar dor e de a própria mãe a ter incentivado desde pequena a ser bonita e a não valorizar tanto a inteligência.
Estamos na presença de uma crítica social, de uma crítica à educação dada às crianças e de uma confissão no que toca a autoestima e autoaceitação.
"Perfection is the disease of a nation” e “It’s the soul that needs surgery” são as frases mais representativas da aura de toda a música.


2) "Haunted” - ☆☆☆☆☆

 

“Haunted" inicia-se com um ritmo frio e introduz Beyoncé num rap acerca da existência humana e da população que está viva sem realmente viver.
Recorrendo a harmonias ecoantes e a uma bass music que nos insere num ambiente amplo e citadino, a letra passa discretamente para um tema romântico, onde ela fala acerca de estar a assombrar alguém e achar que essa pessoa também a está a assombrar. Num momento sedutor, a cantora sussurra “You want me? I walk down the hallway, you’re lucky. The bedroom’s my runway. Slap me! I’m pinned to the doorway. Kiss, bite, foreplay.”
Quase no fim, a música cai num hip-hop movido por sintetizadores que confere alguma energia ao mistério de toda a música.


3) "Drunk In Love" (feat. Jay-Z) - ☆☆☆☆☆


Uma voz agudizada ao estilo árabe traz-nos para um ambiente erótico e feminino. Beyoncé canta sobre estar rendida à paixão e se encontrar literalmente embriagada de amor, apesar das luzes intensas e de todos os bens materiais que a rodeiam.
Sobre uma batida urbana e sincopada, ela rende-se ao contacto físico e aos momentos íntimos, tornando a letra bastante explícita apesar das metáforas (por exemplo, “wood” [madeira] para o órgão sexual masculino, “watermelon” [melancia] para o sémen, etc.) neste caso do marido, o rapper Jay-Z que também participa na música e faz referência a momentos famosos da cultura pop (“I’m Ike Turner, turn up, baby, no I don’t play. Now eat the cake, Annie Mae, I said eat the cake, Annie Mae”) sem nunca quebrar o mood.


4) "Blow - ☆☆☆☆

A cantora usa “Blow” para mostrar os seus dotes vocais num electro-funk muito vintage, bem ao estilo das divas de décadas passadas.
E, mantendo a sensualidade da música anterior, aqui Beyoncé também não poupa nas metáforas.
Mais ou menos a meio da música, depois de anunciar que esta é dedicada a todas as mulheres crescidas - destacando mais ainda o conteúdo adulto - surge um ritmo orientado por beatbox ao mesmo tempo que ela pede que lhe tirem a virgindade através da metáfora da cereja: “I can’t wait ‘til I get home so you can turn that cherry out. Turn that cherry out, turn that cherry out” e acaba a música com um verso em francês e a ponte da canção uma vez mais.


5) "No Angel” - ☆☆☆☆


Bastante intimista, a cantora parece ainda preocupada em abordar o seu romance com um timbre frágil e carente.
Afirma que ainda ela não seja nenhum anjo, o seu par também não o é, algo que ela se apercebeu agora que o conhece melhor, o que deixa espaço para muitas aventuras entre os dois. Apesar de se distanciar das fórmulas comerciais, Beyoncé não soa propriamente original, o que resultou numa música boa mas não de excelência como várias outras deste mesmo álbum.
Baby, put your arms around me, tell me I’m a problem. Know I’m not the girl you thought you knew and that you wanted (...) But I know that’s why you’re staying


6) "Partition”- ☆☆☆☆☆

 

Uma das músicas melhor trabalhadas, a intérprete mostra várias facetas: de diva que interage com os fãs antes de a canção começar, de cantora e ainda de rapper. Com um sub-baixo intenso a orientar a primeira parte da música, somos apresentados ao seu alter-ego do ghetto, Yoncé, uma mulher confiante e consciente dos seus dotes físicos, que sabe o impacto que tem nas pessoas que a veem. “Drop the bass, man, the bass get lower. (...) High like treble, pumping on the mids, the man ain’t ever seen a booty like this. (...) I sneezed on the beat and the beat got sicker, Yoncé all on his mouth like liquor”.
Na segunda parte, a cantora relata a sua vida de estrela e a sua falta de privacidade, bem como o envolvimento sexual com o seu par. Uns versos em francês ironizam o facto de os homens acharem que as feministas detestam o sexo, quando na realidade elas adoram, rematando com o refrão e sintetizadores enérgicos.


7) "Jealous" - ☆☆☆☆☆


Beyoncé é humana, tendo por isso inseguranças e receios típicos de qualquer pessoa numa relação: o medo da perda, o esforço para continuar a ser interessante para o seu par romântico e, acima de tudo, o ciúme. Jurando que se ele mantiver a promessa dele ela também vai manter a dela, a música consegue ser emocional, frágil e ao mesmo tempo libertadora. O sofrimento que sente implica uma necessidade de mudança, mas ao mesmo tempo a ligação afetiva não consegue ser quebrada.
And I hate you for your lies and your covers. And I hate us for making good love to each other. And I love making you jealous but don’t judge me. And I know that I’m being hateful but that ain’t nothing. That ain’t nothing. I’m just jealous. I’m just human. Don’t judge me.A sonoridade é simples e simultaneamente bem conseguida, com gritos ecoados e uns riffs de guitarra disfarçados no ritmo que exalam toda a tensão acumulada ao longo da música.


8) "Rocket” - ☆☆☆☆



Com um género soul das suas raízes no qual se sai sempre tão bem, a voz de Beyoncé brilha na suavidade dos sons.
I do it like it’s my profession, I gotta make a confession. I’m proud of all this bass, let me put it in your face. By the way, if you need a personal trainer or a therapist, I can be a piece of sunshine, inner peace, entertainer, anything else that you may read between the lines. You and I create waterfalls
A temática engloba as mais variadas fantasias e diversões que um casal pode ter, mergulhando-nos num estado de espírito alegre, relaxado e sem compromisso.


9) "Mine" (feat. Drake) - ☆☆☆☆☆

 

Caindo novamente na instabilidade emocional, desta vez na indecisão de manter ou acabar uma relação, a cantora coloca o ouvinte num lento transe sonoro até ao momento em que Drake intervém.
Sob a perspetiva de uma vida a longo prazo, Beyoncé abre o seu coração e a sua mente, deixando-nos conhecer os seus sentimentos e pedindo que haja menos drama na relação, apesar de estar consciente de que ela é muitas vezes a fonte dos problemas.
Tanto Drake como a cantora cantam sobre querer que a outra pessoa lhes pertença: “I just wanna say you’re mine, you’re mine. Fuck what you heard, you’re mine, you’re mine. As long as you know who you belong to.


10) "XO" - ☆☆☆☆☆


Um título puro para uma música pop pura também.
Romântica e consciente de que a vida passa rápido, Beyoncé pede “Baby, kiss me. Before they turn the lights out” e mais tarde “Before our time is run out”, em referência à morte.
E ao mesmo tempo que a música é brilhante na medida em que oferece diversão com muito conteúdo, o refrão fica facilmente na cabeça e incentiva a viver momentos inesquecíveis com a pessoa de quem se gosta, porque essa é uma das melhores coisas que a vida oferece.


11) "***Flawless" (feat. Chimamanda Ngozi Adichie) - ☆☆☆☆☆



Com uma das melhores produções do álbum, se não mesmo a melhor, Beyoncé defende os seus ideais sem espaço para dúvidas. O poder das mulheres está nas mãos delas e cada pessoa é perfeita da maneira como é: “I woke up like this, we flawless”.
Somos injetados com uma música eletrónica frenética que incentiva à revolução pretendida pela cantora: o feminismo não é apenas uma posição a considerar, é a base de toda a igualdade.
Com o discurso de uma escritora nigeriana acerca da injustiça de ser aceitável um homem tratar o seu corpo sexualmente e uma mulher não, somos deixados com uma noção fundamental: “Feminist. A person who believes in the social, political and economic equality of the sexes”.
Os ritmos trap com vozes distorcidas tornam a música um verdadeiro hino contemporâneo porque, para além da temática, oferecem a sonoridade mais atual da indústria musical.


12) "Superpower” (feat. Frank Ocean) - ☆☆☆




Na sequência da qualidade da música anterior, esta acaba por soar bastante mediana, ainda que possa ser vista como sofisticada na sua abordagem ao amor invencível. A letra, ainda que bem formulada, não nos presenteia com um refrão memorável em nenhum momento.
But nothing could slow us down, couldn’t tow us down. I thought I could live without you, ‘cause nothing I know can break us down”.
Nem as harmonias amenas, nem a discreta participação do cantor Frank Ocean, nem sequer os estalinhos ocasionais resgatam a produção, parecendo apenas uma filler no álbum.


13) "Heaven" - ☆☆☆☆




Um clássico piano traz uma nova qualidade ao álbum, bem como uma letra triste acerca da perda de alguém; neste caso, um aborto natural que Beyoncé teve. Deparamo-nos com a desorientação da cantora e um desespero que contrasta com toda a agressividade das músicas anteriores sobre sexo e autovalorização.
A memória de momentos de esperança com o marido quebram a repetição de que a música é vítima “We laughed at the darkness, so scared that we lost it. We stood on the ceilings, you showed me love was all you needed”, finalizando com um recorrer à religião em momento de conformismo cru, uma vez que o tema justifica isso mesmo.


14) "Blue" (feat. Blue Ivy) - ☆☆☆☆



Beyoncé não podia deixar de honrar a sua filha com uma música, incluindo até a participação da própria no fim e deixando os seus fãs ter um vislumbre da sua vida familiar.
Os seus dotes maternais refletem-se na letra “Each day I feel so blessed to be looking at you, ‘cause when you open your eyes, I feel alive.” Começa delicada e acaba por se intensificar mas sempre graciosamente, representando o amor da cantora por Blue Ivy.
Se até aqui tínhamos assistido às várias dimensões de Beyoncé enquanto celebridade, esposa, amante e pessoa, temos aqui a prova concreta da sua faceta de mãe.


_________________ PLATINUM EDITION_________________

O álbum lançado em 2013 teve um relançamento com o acréscimo das seguintes músicas:

15) "7/11" - ☆☆☆☆☆



Com uma vibração dançante, a cantora não poupa nas batidas hip-hop e canta sobre divertir-se sem quaisquer preocupações.
Faz referências a álcool e à sua atitude inconsciente em contexto de festa, não se esquecendo de impressionar os outros e exibir-se como se faz em qualquer típica música urbana, proporciando até momento de palmas para o twerk.
Flexin’ while my hands up, my hands up, my hands up, I stand up with my hands up”.


16) "Flawless Remix" (feat. Nicki Minaj) - ☆☆☆☆☆



Se na versão original a música é um trap de intervenção social, aqui torna-se mais pessoal com Beyoncé a falar de dinheiro, bens materiais e até intimista fazendo referência a episódios mediáticos como o do desentendimento do seu marido Jay-Z e irmã Solange Knowles no elevador (“Of course sometimes shit go down when it’s a billion dollars on an elevator”).
O refrão é proferido, seguido por um verso sobre confiança e um trompete militar muito em voga, finalizado pelo rap de Nicki Minaj imperdoavelmente bem feito com calão por cima de hi-hats reverberantes, que se refere inclusive ao Instagram e as proclama como as verdadeiras referências internacionais na indústria.
The queen of rap, slayin’ with queen Bey”.

17) "Drunk In Love Remix" (feat. Jay-Z & Kanye West) - ☆☆☆☆☆




Kanye West entra na música com graves harmoniosos revelando logo o assunto sexual a tratar (“You willl never need another lover, ‘cause you a milf and I’m a motherfucker”) e expondo todos os planos que tem para a intimidade, até ao momento em que Beyoncé traz o seu timbre e letra icónica (“Feelin’ like an animal with these cameras all in my grillz”) com quebras ocasionais para conferir dinamismo à música de forma genial (“Flashing lights!”).
A sua voz acaba por se projetar como na “Drunk In Love original e segue a lógica da mesma com a participação de Jay-Z.

18) "Ring Off" - ☆☆☆☆



Camuflado com sons um pouco festivaleiros, a cantora aborda aqui os casamentos com muitos anos e os relacionamentos que com o tempo enfraquecem, acabando por deixar as pessoas amarguradas.
“I wish he said I’m beautiful, I wish it didn’t hurt at all. I don’t know how I got here, I was once the once who had his heart”.
Uma ode a novos inícios e à procura da felicidade. “After all your tears, after all that pain’s all clear. Mama, after all them years, we can start all over again”.

18) "Blow Remix” (feat. Pharrell Williams) - ☆☆☆☆



Com poucas mudanças relativamente à original, “Blow” continua a apostar na sensualidade e nos duplos sentidos, incluindo Pharrell Williams para ajudar a projetar a música e garantir que o R&B não passa despercebido.
If you’re thirsty and in love just hit your boy

18) "Standing On The Sun" (feat. Mr Vegas) - ☆☆☆☆☆

Finalizando de maneira despretensiosa, Beyoncé traz um ritmo de verão e um refrão que relembra os seus tempos de Destiny’s Child, o que parece ser o fim ideal para o seu álbum intimista.
A participação de Mr Vegas não era crucial mas conferiu-lhe todo um sentimento de festa caribenho e tropical que contribui para o impacto da música que recebe o sol e exige animação.
Like the sun, so turn up, turn up”.

Análise geral:
Letra - ☆☆☆☆
Sonoridade - ☆☆☆☆☆
Conceito - ☆☆☆☆☆

Avaliação final:

☆☆☆☆☆